Publicado por: scaphe | Agosto 19, 2006

Web 2.0, Ajax e SOA: uma nova perspectiva

por Felipe A. Oliveira

A Web 2.0 se forma baseada em iniciativas conhecidas, mas sob uma nova ótica. SOA e Ajax ocupam papel importante dentro das estratégias de players como IBM, BEA, Oracle e Sun Microsystems.

A indústria se reinventa: conceitos e fundamentos pré–existentes são lançados novamente ao mercado sob uma nova ótica. A euforia sobre estes conceitos, mais especificamente o Ajax, traz à tona novas oportunidades, em diferentes nichos, e faz alusão à bolha em meados de 2000.

Este novo movimento está centrado em soluções focando uma só idéia: mudar o paradigma de como enxergamos a web. Esta passará a ser plataforma e não somente meio.

Até os tempos atuais, o paradigma que orientou muitas iniciativas na web foi utilizá–la como meio de comunicação, prospecção de clientes, disseminação de campanhas e afins. Utilizá–la como plataforma de operações era até o presente momento inviável, por questões meramente oftalmológicas: miopia estratégica das empresas.

Iniciativas como Google Suggest, Gmail, Protopage e Meebo, entre outras, despertaram a atenção de milhares de desenvolvedores, que começaram a reavaliar o processo de criação de interfaces web e aplicações. Em paralelo, a forma como os sistemas são projetados também passa por mudanças profundas conceituais.

A chamada Web 2.0 muda não somente a camada de apresentação ao cliente final. Muda também a forma como os serviços das aplicações são disponibilizados, com a oferta de possibilidades inovadoras ao mercado.

Imagine a possibilidade de criar aplicações inteiras de forma heterogênea, consumindo serviços de diferentes players. Essa mudança no formato, que outrora era inviável por questões de custos e especificação, tem um nome – SOA.

SOA (de Service Oriented Architecture) é um paradigma arquitetural de desenvolver os componentes da sua aplicação como serviços. É muito parecido com a arquitetura orientada a componentes, entretanto, em lugar de componentes fechados numa caixa, estes são disponibilizados como serviços às demais camadas da aplicação ou quaisquer outras aplicações que irão consumir suas funcionalidades.

A estratégia SOA empregada pelos grandes players está na redução de custos (TCO), aumento da produtividade e encapsulamento da complexidade técnica. O ROI (retorno de investimento) está quase sempre atrelado a estratégias de integração, onde o custo de integrar ambientes heterogêneos (utilizando técnicas de baixo acoplamento, como servidores de mensagens assíncronas, por exemplo) é excessivamente alto.

Evitar a sobreposição dos serviços

Dentro das grandes corporações, para que o ROI de fato aconteça é preciso que a mentalidade na concepção da estrutura das aplicações sofra alterações. Isso é inerente à implementação tecnológica e à cultura empresarial, que deverá prover unidades de análise de negócios que caminhem junto à área técnica, a fim de evitar a sobreposição dos serviços.

Assim como o Ajax, o fundamento central do SOA provém de uma especificação pré–existente – web services – que não teve êxito como esperado no mercado. Sua repaginação para um novo modelo foi necessária. A idéia central dos web services era válida, mas inicialmente teria sido mal vendida ao mercado, talvez por falhas na especificação, deixando lacunas abertas, ou por falta de empenho das empresas de TI em empregar e disponibilizar serviços sob tal formato.

A Web 2.0 está se formando baseada em iniciativas que já são de pleno conhecimento dos desenvolvedores, sob uma nova ótica.

Disponibilizar aplicações utilizando a web como plataforma não necessariamente está atrelado ao conceito Ajax ou qualquer outro processo rich client na camada de apresentação (Laszlo, Flex). O conceito de plataforma é mais amplo. Emprega o uso da rede como plataforma de serviços, onde aplicações podem buscar uma determinada funcionalidade e essa ser provida, sem precisar ser reescrita.

A complexidade dessa nova tratativa é o centro da estratégia de algumas iniciativas e um novo conceito está entrando em pauta, o SCA, de Service Component Architecture.

Essa abordagem novíssima pode impactar diretamente nos modelos de implementação tecnológica. No próximo texto vamos falar sobre os benefícios para as empresas e o retorno do investimento com a estratégia SOA.


Respostas

  1. [...]   « Web 2.0, Ajax e SOA: uma nova perspectiva | Home | Friendster recebe mais 10 milhões de investimento. » [...]

  2. meebo: porque hoje é sexta-feira

    Imagine a cena: sexta-feira… depois do almoço… A essa altura ninguém mais trabalha. A agitação cresce. Todos estão pensando em como “descansarão” no exígüo fim de semana que se aproxima. Hoje em dia combinar as atividade…

  3. Felipe,

    Parabéns pelo seu artigo.
    Ele tem um abordagem que interessa no nível mais corporativo, de negócios e de estratégia empresarial.
    Imagina uma empresa que tem uns 600 “sistemas autistas”, que só fala com ele mesmo, desenvolvidos nos últimos 43 anos, nas mais diferentes plataformas e tecnologias?
    Para piorar as coisas, este empresa se junta com uma outra que tem mais uns 400 sistemas desenvolovidos com os mesmos problemas
    para complicar as coisas.
    Ou você compra um super sistema de ERP para substituir esta parafernália toda ou usa o SOA para juntar o injuntável.
    Estou de saco cheio de ler artigos de javamen falando de tecnicidades que ninguém entende, exceto ele mesmo e talvez mais uns quatro ou cinco amigos dele…
    Abraços,
    Francisco Cripa


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